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Eficácia de antidepressivos como analgésicos

A Associação International para o Estudo da Dor (AIEP ou IASP) define a dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada ao dano tecidual real ou potencial. Isto sugere que a dor é uma experiência subjetiva e que a mera presença de lesão física pode ou não explicar adequadamente seu surgimento. A dor pode ser classificada como nociceptiva,inflamatória, neuropática ou funcional/disfuncional (por exemplo, os últimos incluem sindrome do intestino irritável, fibromialgia, cefaléia tensional..). A persistência da dor é principalmente devido à ativação de vários mecanismos fisiopatológicos, levando a hiperexcitabilidade do sistema somatossensorial.

Certos antidepressivos podem suprimir a dor por mecanismos diversos e são considerados como componentes essenciais na estratégia terapêutica para o tratamento de muitos tipos de persistente de dor. Seus principais mecanismos de ação envolve reforço das vias descendentes inibitórias, aumentando a quantidade de norepinefrina e serotonina na fenda sináptica, tanto a nível supra-espinhal e espinhal . Estudos têm demonstradoum papel crítico para os Canais de Sódio Voltagem Dependentes (CSVD) em muitos tipos de síndromes de dor crônica, porque esses canais desempenham um papel fundamental na excitabilidade dos neurônios centrais e periféricos do sistema nervoso. Antidepressivos com propriedades de bloqueio dos canais de sódio são considerados eficazes na supressão do sinal de dor persistente.

Vários estudos têm documentado que o efeito analgésico é independente do efeito antidepressivo, e que estes agentes são eficazes em pacientes com dor persistente que não têm ligação com a depressão. Também tem sido observado que a ação analgésica é mais forte nos antidepressivos com receptor misto ou com atividade predominantemente noradrenérgica.

Evidências clínicas colhidas ao longo de várias décadas sugerem que os antidepressivos tricíclicos (ADTs) são o “padrão ouro” para antidepressivos no tratamento da dor neuropática persistente. A fibromialgia é outra condição na qual a utilização dos ADTs é bem estabelecida. De acordo com a Sociedade Americana da Dor, os ADTs também são eficazes para o tratamento de dores lombares.

Inibidores selectivos da recaptação da serotonina (ISRS) são melhor tolerados, mas são inferiores aos ADTs no controle da dor persistente, devido à neuropatia diabética e a fibromialgia. Na fibromialgia, muitos estudos reportam que a fluoxetina tem um efeito melhor que o citolapram e paroxetina.

Dos inibidores da recaptação da serotonina e adrenalina, a venlafaxina é o fármaco mais estudado. Em dores neuropáticas a venlafaxina mostra resultados quase tão bons quanto dos ADTs, com a vantagens de possuir menos efeitos indesejáveis. Duloxetina e milnaciprano tem eficácia parecida para o controle da dor durante a fibromialgia.

Dharmshaktu, P; Tayal, V; Kalra, B. S. Efficacy of Antidepressants as Analgesics: A Review. J Clin Pharmacol. n. 56, p.6-17, 2012.

Categorias:Farmacologia
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