Drogas vasoativas mais utilizadas em Unidades de Terapia Intensiva

Administradas aos pacientes críticos, as drogas vasoativas compreendem em sua maioria os inotrópicos, os vasoconstrictores e os vasodilatadores. Estas drogas são utilizadas principalmente com o objetivo de manter a homeostase orgânica e tissular durante as mais diversas condições clínicas, evitando assim que os pacientes evoluam para uma disfunção de múltiplos órgãos.

Continue lendo….

Anúncios

Novo material

Nova página adicionada, Farmacodinâmica, primeiro post a ser criado refere-se a mecanismos gerais de ação dos fármacos:

A utilização de fármacos envolve modificações e regulações que os mesmos provocam no organismo, pode-se considerar que compostos com atividade biológica provocam sua ação farmacológica de duas formas bem distintas, quanto ao seu mecanismo de ação, sendo estas formas os mecanismos inespecíficos e específicos.

Continue lendo…..

Categorias:Uncategorized

Depois de um certo tempo sem atividades, trago novidades no blog, foi adicionado a página sobre Eliminação, dentro da seção Farmacocinética, espero trazer mais informações em um tempo menor.

Categorias:Uncategorized

Novidades

Novas informações adicionadas a página Material de Apoio.

Categorias:Farmacologia

Prevenção de câncer de pâncreas pelo propranolol

Adenocarcinoma ductal pancreático (ACDP) está entre as principais causas de mortes por câncer e é pouco responsivo  à terapia existente. Pancreatite induzida por  álcool e fumo  estão entre os fatores de risco para ACDP. Estudos relatam que fármacos beta-adrenérgicos estimulam a proliferação e migração de células, in vitro, do ACDP por sinalização dependente de AMPc e que a nitrosamina derivada da nicotina-4 – (methilnitrosamino) -1 – (3-piridil) -1-butanona (NNK) ativa esta via diretamente in vitro, enquanto adicionalmente estimula a liberação de noradrenalina/adrenalina através da ligação aos receptores nicotínicos de acetilcolina alpha7 (alpha7 nAChR) em hamsters. Em seu estudo Al-Wadei, Al-Wadei e Schuller (2009) testaram a hipótese de que o antagonista beta-adrenérgico, propranolol, impede o desenvolvimento de ACPD, induzida em hamsters, pelo surgimento de pancreatite causada por etanol e  induzida pelo NNK.

De acordo com Al-Wadei, Al-Wadei e Schuller (2009)  o propranolol teve efeitos preventivos sobre o câncer  neste modelo animal. Por meio da técnica de Western blots foi possível observar que  células do ducto pancreático e células ACDP, colhidas por laser microscopia de captura, mostraram significativa upregulation do nAChR alpha7, associado com aumento do fator de crescimento epidérmico e fator de crescimento vascular endotelial em células ACDP de hamsters não tratados com propranolol. Esses efeitos foram revertidos pelo tratamento com propranolol. Esses dados sugerem, então, que o propranolol pode impedir o desenvolvimento do ACDP, bloqueando a sinalização intracelular AMPc-dependente, fator de liberação  de crescimento epidérmico AMPc-dependente, e fator de liberação de crescimento endotelial vascular PKA-dependente, enquanto, adicionalmente provoca down-regulating do nAChR alpha7. Desta forma,  a sinalização do aumento de AMPc é um importante fator que impulsiona o desenvolvimento e progressão da ACDP, e que a inibição da formação de AMPc é um alvo novo e promissor para a prevenção e terapia adjuvante do ACDP.

Al-Wadei HA, Al-Wadei MH, Schuller HM.Prevention of pancreatic cancer by the beta-blocker propranolol. Anticancer Drugs. Jul;20(6):477-82, 2009

Categorias:Artigo Tags:, ,

Eficácia de antidepressivos como analgésicos

A Associação International para o Estudo da Dor (AIEP ou IASP) define a dor como uma experiência sensorial e emocional desagradável associada ao dano tecidual real ou potencial. Isto sugere que a dor é uma experiência subjetiva e que a mera presença de lesão física pode ou não explicar adequadamente seu surgimento. A dor pode ser classificada como nociceptiva,inflamatória, neuropática ou funcional/disfuncional (por exemplo, os últimos incluem sindrome do intestino irritável, fibromialgia, cefaléia tensional..). A persistência da dor é principalmente devido à ativação de vários mecanismos fisiopatológicos, levando a hiperexcitabilidade do sistema somatossensorial.

Certos antidepressivos podem suprimir a dor por mecanismos diversos e são considerados como componentes essenciais na estratégia terapêutica para o tratamento de muitos tipos de persistente de dor. Seus principais mecanismos de ação envolve reforço das vias descendentes inibitórias, aumentando a quantidade de norepinefrina e serotonina na fenda sináptica, tanto a nível supra-espinhal e espinhal . Estudos têm demonstradoum papel crítico para os Canais de Sódio Voltagem Dependentes (CSVD) em muitos tipos de síndromes de dor crônica, porque esses canais desempenham um papel fundamental na excitabilidade dos neurônios centrais e periféricos do sistema nervoso. Antidepressivos com propriedades de bloqueio dos canais de sódio são considerados eficazes na supressão do sinal de dor persistente.

Vários estudos têm documentado que o efeito analgésico é independente do efeito antidepressivo, e que estes agentes são eficazes em pacientes com dor persistente que não têm ligação com a depressão. Também tem sido observado que a ação analgésica é mais forte nos antidepressivos com receptor misto ou com atividade predominantemente noradrenérgica.

Evidências clínicas colhidas ao longo de várias décadas sugerem que os antidepressivos tricíclicos (ADTs) são o “padrão ouro” para antidepressivos no tratamento da dor neuropática persistente. A fibromialgia é outra condição na qual a utilização dos ADTs é bem estabelecida. De acordo com a Sociedade Americana da Dor, os ADTs também são eficazes para o tratamento de dores lombares.

Inibidores selectivos da recaptação da serotonina (ISRS) são melhor tolerados, mas são inferiores aos ADTs no controle da dor persistente, devido à neuropatia diabética e a fibromialgia. Na fibromialgia, muitos estudos reportam que a fluoxetina tem um efeito melhor que o citolapram e paroxetina.

Dos inibidores da recaptação da serotonina e adrenalina, a venlafaxina é o fármaco mais estudado. Em dores neuropáticas a venlafaxina mostra resultados quase tão bons quanto dos ADTs, com a vantagens de possuir menos efeitos indesejáveis. Duloxetina e milnaciprano tem eficácia parecida para o controle da dor durante a fibromialgia.

Dharmshaktu, P; Tayal, V; Kalra, B. S. Efficacy of Antidepressants as Analgesics: A Review. J Clin Pharmacol. n. 56, p.6-17, 2012.

Categorias:Farmacologia

Interações medicamentosas: Metabolismo

A administração de dois ou mais fármacos que são metabolizados pelo mesmo sistema enzimático, pode levar a alterações no perfil farmacológico de alguns dos agentes terapêuticos empregados. Essas alterações podem explicar muitas respostas inesperadas, ausência de efeito ou até mesmo serem empregadas como recursos para o tratamento do paciente.

Para seu metabolismo, boa parte dos fármacos, são biotransformados com auxílio de enzimas, ocorre que alguns fármacos podem competir pelo mesmo sistema enzimático, e com isso, vem a interação farmacológica, que pode, anular, reduzir ou aumentar o efeito dos agente envolvidos. Quando se falar em metabolismo, duas interações são possíveis de ocorrer: a) Indução enzimática e a b) Inibição enzimática.

A indução enzimática provoca aumento no número de enzimas, com este aumento ocorre um acréscimo na taxa de metabolismo, que provoca, consequentemente, uma redução na duração ou intensidade de ação de alguns fármacos. O Fenobarbital é um potente indutor da família CYP3A, apenas como exemplo, o paracetamol, diazepam, sulfametoxazol, espironolactona, etinilestradiol, fentanila e budesonida são metabolizados por esta mesma subfamilia, logo, o fernobarbital pode reduzir, gradativamente, o efeito destes fármacos. A redução gradativa do efeito, caracteriza-se como Tolerância, assim, a indução enzimática é um dos motivos que levam a tolerância a fármacos, portanto, o uso a longo prazo de fenobarbital pode desencadear tolerância, tanto do próprio fenobarbital, quando de outros fármacos que sejam metabolizados pelo mesmo sistema enzimático.

A utilização de animais para a predição de indução enzimática de fármacos pode ser considerada de pouca relevância em alguns casos. O mesmo exemplo citado acima, fenobarbital, induz a predominantemente a CYP2B em ratos, enquanto que em humanos a família induzida é a CYP3A. Mais recentemente, entretanto, utilizam-se técnicas com hepatócitos humanos para avaliar a indução enzimática em humanos do citocromo P-450 para uma variedade de agentes terapêuticos.

Como uma faca de dois gumes, a indução de  enzimas pode levar a uma diminuição da toxicidade através da aceleração de desintoxicação, ou a um aumento da toxicidade devido ao aumento da formação de matabólitos reativos. Dependendo do delicado equilíbrio entre detoxificação e ativação, a indução pode ser uma resposta benéfica ou maléfica.

A inibição enzimática leva a uma redução na taxa de metabolismo e com isso o efeito terapêutico pode aumentar. Vários mecanismos estão envolvidos na inibição de enzimas, incluindo a concorrência para o sítio catalítico da enzima, interação (alostérica) não competitiva, a destruição suicida da enzima, e concorrência para cofatores. Entre estas, a inibição competitiva é provavelmente o mais comum. Se a inibição da enzima ocorre pela interação de dois substratos concorrentes da mesma enzima, a natureza competitiva da inibição dependerá do valor do Km do substrato e da constante de dissociação de um inibidor (Ki) e da concentração do inibidor  no local.

A inibição enzimática  é geralmente considerada como potencialmente perigosa, ou, pelo menos, indesejável. No entanto, há situações, em que essas interações podem ser exploradas. Por exemplo, o cetoconazol é utilizado com a ciclosporina A a prolongar a eliminação deste último. Cetoconazol, que é um agente anti-fúngico potente, e a ciclosporina, que é um agente amplamente utilizado como imunossupressores, são substratos para a CYP3A4. A idéia é usar, o relativamente barato, cetoconazol para inibir o metabolismo da ciclosporina, minimizando o custo da terapia a longo prazo com esta droga muito cara. Da mesma forma, durante a Segunda Guerra Mundial, quando as penicilinas eram muito caras, a probenecida era co-administrada para retardar a excreção renal dos antibióticos.

 

Categorias:Farmacologia